“Parar de pensar significa apenas isto”: Osho esclarecendo instruções sobre a meditação

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“Eu não consigo meditar“, “não consigo parar meus pensamentos“, “não consigo ficar sem pensar” e suas variantes são testemunhos recorrentes de quem meditou algumas vezes e acha que não conseguiu. Mas forçar a mente a parar de pensar é um equívoco, ainda que continue a ser propagado em diversas frentes, e a ser instruído, mas o célebre filósofo indiano Osho (1931-1990) deixou um legado onde esclarece o que vem a ser, na sua visão, meditar e “parar de pensar“. Nesse trecho abaixo, reunido no livro “Vivendo Perigosamente: A aventura de ser quem você é” (Alaúde, tradução de Lauro Henriques Jr), Osho fala que os pensamentos se aquietam por si mesmos (uma expressão que usa repetidamente) e enfatiza que apenas sentar sem fazer nada é a instrução básica para a prática.

Ou uma das práticas. Pois além de direcionamentos diferentes, algumas escolas e mestres também tem instruções particulares a respeito do que fazer (ou não fazer) com o pensar. Mestre Dogen (1200-1253), do Zen Budismo, instrui no seu grande compêndio sobre o Zazen (meditação Zen), que uma das observâncias é “pensar além do pensar e do não pensar” (sim, isso pode ser bastante intrigante). Nas instruções da Meditação Vipassana, do Budismo Theravada, o ato de pensar é visto como mais um dos objetos a serem observados — se a atenção for capturada pelo pensar e levada aos seus conteúdos, os meditadores são instruídos a tomarem consciência disso e apenas notarem “pensando, pensando“. Na Yoga há ainda outro tipo de abordagem, geralmente iniciado com a concentração, e assim por diante. Então é importante tomar a palavra de Osho como uma das palavras, ainda que buscando a compreensão completa do que ele elucida a respeito de “parar de pensar“.

Boa leitura.

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“MEDITAÇÃO, A CHAVE MESTRA“

— do livro “Vivendo Perigosamente: A aventura de ser quem você é”.
Por Osho.

A meditação é essa clareza absoluta de visão. É impossível pensar sobre ela. Na verdade, você tem que parar de pensar. Agora, quando digo “parar de pensar”, não vá tirando conclusões apressadas, pois isso é apenas o tipo de linguagem que preciso usar para me expressar. Se eu disse “pare de pensar”, e você já for logo fazendo um esforço nesse sentido, terá errado o alvo, pois mais uma vez terá reduzido a meditação a uma ação.

“Parar de pensar” significa apenas isto: não faça nada. Sente-se. Deixe que os pensamentos se aquietem por si mesmos. Deixe que a mente repouse por conta própria. Apenas sente-se num local silencioso, sem fazer absolutamente nada. Relaxado, tranquilo, sem nenhum esforço; sem ir a lugar algum. É como se você estivesse pegando no sono acordado — embora esteja desperto, todo o seu ser vai relaxando. Você permanece alerta por dentro, mas o seu corpo caminha para um profundo relaxamento.

Os pensamentos se aquietam por si mesmos, você não precisa interferir para tentar silenciá-los. Por exemplo, se a água de um riacho está lamacenta, o que você faz? Você pula dentro da água para ajudá-la a ficar cristalina? Claro que não — isso apenas iria torná-la mais lamacenta. Você simplesmente senta-se na margem e espera. Pois não há nada que você possa fazer; qualquer coisa que fizer deixará a agua ainda mais turva. Se alguém cruzar o riacho e as folhas mortas vierem à superfície junto com a lama, tenha paciência. Simplesmente sente-se na margem. Observe com tranquilidade. O riacho continuará fluindo, as folhas serão levadas pela corrente e, aos poucos, a lama irá assentando no fundo, pois não pode flutuar a vida toda. Então, após algum tempo, subitamente você vai perceber que a água está cristalina de novo.

Sempre que um desejo passa por sua mente, as águas ficam turvas. Portanto, apenas sente-se. Não tente fazer nada. No Japão, este “sentar-se sem fazer nada” é chamado zazen. Apenas sente-se, sem fazer nada; e, um dia, a meditação acontecerá. Não é você que a trará; na realidade, é ela que virá até você. E, quando vier, você irá reconhecê-la imediatamente. O fato é que ela sempre esteve aí, só que você não estava olhando na direção correta. O tesouro sempre esteve com você, mas você estava ocupado com outras coisas: pensamentos, desejos, mil e uma coisas. Você não estava interessado na única coisa que realmente importa: o seu próprio ser.

Quando sua energia se volta para dentro — aquilo que Buda chama de parabvrutti, o retorno da sua energia à fonte — subitamente a clareza é alcançada. Aí, então, você pode enxergar nuvens a milhares de quilômetros, e pode ouvir a antiga música das árvores. A partir desse momento, tudo fica ao seu alcance.

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