O que devemos fazer nesse mundo? Krishnamurti responde em dois pontos

Pergunta: Senhor, o que quer você que nós façamos aqui neste mundo?

Jiddu Krishnamurti: Muito simples senhor: eu não quero nada. Isso é o primeiro. O segundo: viva, viva neste mundo. Este mundo é tão maravilhosamente belo. É nosso mundo, nossa terra sobre a qual vivemos. Mas não vivemos, somos mesquinhos, divididos, ansiosos; somos seres humanos atemorizados e, portanto, não vivemos, não conhecemos a verdadeira relação, somos seres solitários e desesperados. Não sabemos o que significa esse sentido de viver em êxtase. Digo que podemos viver dessa maneira unicamente quando soubermos como estar livres de todas as tolices que enchem nossa vida. E estar livres delas só é possível quando nos damos conta de nossa relação, não só com os seres humanos, mas também com as idéias, com a natureza, com tudo. Nessa relação descobrimos o que somos: nosso medo; nossa ansiedade, desespero, solidão, e nossa completa ausência de amor. A gente está repleto de teorias, de palavras, de conhecimentos do que outras pessoas hão dito, mas nada conhece sobre si mesmo, e, portanto, a gente não sabe como viver.”
– JIDDU KRISHNAMURTI (em “O Voo da Águia”)

Uma frase como essa, “esse mundo é tão maravilhosamente belo”, pode parecer estranha e até delirante num estado de pandemia como o atual. Mas logo depois sabemos o que Krishnamurti quis dizer, e como é claro que fomos nós que criamos esse caos, esse desespero, essa confusão e inferno. A pandemia é uma grande oportunidade de ver, de ganhar visão, de sentir o que estamos fazendo, sem filosofias que superem a realidade como se mostra, e, enfim, “estar livres de todas as tolices que enchem nossa vida”.

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