Só a mente que está totalmente sozinha é aberta: meditando com J. Krishnamurti

“Choveu pesado noite e dia e, em sua passagem, a chuva precipitou-se rumo ao mar, tingindo-o de chocolate. Ao andar pela praia, as ondas faziam-se enormes, arrebentando-se com força e curvas magníficas. Ao caminhar contra o vento, sentia-se não haver nada entre si e o céu, e essa abertura era o paraíso. Estar completamente aberto, vulnerável – às montanhas, ao mar e aos seres – é a própria essência da meditação.

Não ter resistência, não ter quaisquer barreiras interiores, estar completa e realmente livre de todo impulso, compulsão e exigência de menor importância, é caminhar pela vida de braços abertos. Naquela tarde, ao caminhar sobre a areia molhada, com as gaivotas ao redor, sentia-se um extraordinário senso de liberdade aberta e a grandiosa beleza do amor, não dentro ou fora de você, mas por toda a parte.

Não percebemos quão importante é estar livre de incômodos prazeres e suas dores, de modo que a mente fique sozinha. Só a mente que está totalmente sozinha é aberta. Você sentia tudo isso de repente, como um vendaval varrendo a terra e você mesmo. E lá estava você – desprovido de tudo, vazio, e, no entanto, escancarado. Sua beleza não residia em palavras e sentimentos, mas parecia estar por toda a parte – ao seu redor, dentro de você, sobre as águas e nos montes. Meditação é isso.”

– JIDDU KRISHNAMURTI (em “Meditando com Krishnamurti”)

Esse trecho não é (só) uma explicação, mas é uma brisa de meditação que Krishnamurti nos assopra com gentileza. Se conseguirmos ler isso bem abertos (e com a mente totalmente só), sem nos esforçarmos por lógica ou raciocínio, quase conseguiremos sentir esse ar no rosto, e na mente.


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