Como Eckhart Tolle me ajudou na vida: o relato do vencedor da promoção

O Poder do Agora, de Eckhart Tolle

Quem já leu pelo menos um grande livro que lhe causou impacto na vida sabe como é: às vezes o que está escrito de repente muda como entendemos o mundo, ou como agimos em nossas vidas, como vemos a nós mesmos, os outros, como sentimos e pensamos. O leitor André Freitas, que venceu a promoção do Dharmalog para assistir à primeira palestra de Eckhart Tolle no Brasil, que aconteceu no último sábado (5/11), experimentou várias dessas mudanças ao receber de presente de uma amiga o livro “O Poder do Agora“. Logo que recebeu colocou na estante, mas um tempo depois ele o resgatou, num dos momentos mais importantes da sua vida. Mas não vou estragar: o relato vencedor na íntegra segue abaixo, da maneira como foi enviado.

O texto deveria responder à pergunta: “Como Eckhart Tolle e sua obra lhe influenciaram ou lhe ajudaram na vida?” Os critérios de escolha levaram em conta: 1) a influência ou impacto em si, 2) os detalhes, e 3) a relação com a obra.

Agradeço imensamente pela permissão de divulgação, que possa acrescentar a todos os interessados.

Eis o relato:

COMO A OBRA DE ECKHART TOLLE ME INFLUENCIOU E AJUDOU NA VIDA
Por André R. de Freitas

“Quando uma amiga me presenteou com o livro “O Poder do Agora” de Eckhart Tolle, pensei “é mais um dentre os muitos que andam me recomendando, não vai ter jeito, esse também vai para a prateleira”.

Passávamos os dois por momentos semelhantes, ela ainda lidando com a perda de seu pai, vítima de um câncer, e eu lidando com a luta da minha mãe, acometida pela mesma doença há praticamente três anos, com todas as opções e portas se fechando cada vez mais, lentamente e gradualmente, de uma maneira inexorável.

Quando a situação toda apareceu para nós da família, o meu descontrole foi total. Normalmente somos ensinados a ignorar a morte, sabemos de uma maneira consciente que ela chega para todos, mas inconscientemente sempre achamos que isso não é com a gente (ou mesmo com quem está “perto” de nós). Repetimos como um mantra na nossa mente que morte é aquela questão que teremos que enfrentar daqui a muitos anos, mas nos esquecemos que ela nos espreita todo dia, toda hora.

Como ensina a própria doutrina budista, a questão se traduz no fato de acordarmos todos os dias pensando “hoje posso morrer”, em vez de pensar “hoje ainda não é a minha hora”.

“O Poder do Agora” me ajudou a lidar com isso. Em uma época em que me vi sendo assaltado por várias neuroses dormentes (sempre fui hipocondríaco), forçado a lidar com questões relacionadas às possibilidades hereditárias dessa doença, além de ter que me preocupar com o bem estar psicológico da minha mãe, entrar em contato com uma obra que ensina que “o que importa é o agora” e que o único momento que realmente existe é o presente, foi de certa maneira libertador para quem, como eu, tinha como fundo de todas as neuroses a minha ansiedade.

Ao me ver como uma existência própria, separada das viagens temporais que a minha mente insistia em fazer por conta própria, tanto ao passado, mas principalmente para o futuro, viagens que me traziam tanto sofrimento, pude controlar muito melhor as minhas neuroses, além de conseguir admirar a real beleza do que estava, bem naquele momento, na frente do meu nariz apesar de tudo.

Hoje a minha mãe não está mais ao meu lado, mas a transformação que ocorreu na minha mente antes de tudo acontecer me ajudou a me preparar, e também prepará-la, para o que poderia vir. Quando o momento chegou eu me surpreendi com a paz que consegui reunir, sobretudo pela minha nova maneira de pensar. Dali em diante sempre passei a olhar o “agora” com um carinho mais do que especial, muito maior do que nutria antes, pois nesse sentido o passado não se modifica e o futuro não existe, que outra preocupação por ventura necessitaríamos ter?”

More from Nando Pereira (Dharmalog.com)
War is Over (SIM ao desarmamento)
war is over (if you want to)
Read More
Join the Conversation

2 Comments

  1. says: Marcelo

    Muito gratificante ler este depoimento. Sem dúvidas, perdas em nossas vidas como a de um familiar tão próximo são dolorosas, a ponto de nossa mente não nos deixar se conformar com o fato que vai desencadear em um presente ainda mais desconhecido e nos compelir a sofrer pelo passado e pelo futuro de várias maneiras. Estou buscando aprender o mesmo que o depoente, não há outra saída para a paz de fato senão escolher através do poder do agora nos rendermos aquilo que é, por mais difícil que seja, e então olhar com clareza coisas diversas maravilhosas ocorrendo a nossa volta, como ele disse “admirar a real beleza do que estava, bem naquele momento, na frente do meu nariz apesar de tudo.”.

    Obrigado Nando.

Leave a comment
Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *