Buda dentro de nós mesmos: psicóloga defende auto-compaixão contra obsessão por auto-estima

“Nessa sociedade incrivelmente competitiva que é a nossa, quantos de nós sentimos verdadeiramente bem a respeito de nós mesmos?”. Essa pergunta abre capítulo um do novo livro “Self-Compassion“, da psicóloga americana Kristin Neff, professora de Cultura e Desenvolvimento na Universidade do Texas. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Kristin condenou a obsessão pela alta auto-estima, que segunda ela está elevando os graus de narcisismo de nossa cultura, e prega o auto-compaixão, inspirada no Budismo.

Enquanto a auto-compaixão traz a compreensão e a aceitação de nós mesmos, que nem sempre vamos ser muito bons ou melhores, a busca pela auto-estima, segundo ela, “acirra a rivalidade e pode levar à agressividade”. Então qual é a resposta? “Parar de julgar e avaliar nós mesmos“, diz ela ainda no primeiro capítulo.

“Se você quer que os outros sejam felizes, pratique compaixão. Se você quer ser feliz, pratique compaixão”.
~ Tenzin Gyatso, XIV Dalai Lama

Abaixo, um trecho da entrevista que Kristin Neff concedeu à Folha, que pode ser lida na íntegra no site do jornal, “Cultura da autoestima é contestada por psicóloga americana“.

Como uma autoestima elevada pode fazer mal?
Kristin Neff – Não é o fato de ter uma autoestima elevada que é prejudicial, mas o que se faz para consegui-la ou mantê-la. Você precisa ser o número um, precisa se sentir especial e melhor do que os outros. Se, por exemplo, a sua performance no trabalho está abaixo da média, você se sente abaixo da média.

Por que a busca pela boa autoavaliação é tão prejudicial?
Kristin Neff – Porque acirra a rivalidade e pode levar à agressividade. Há quem sustente que muitas crianças praticam bullying porque têm baixa autoestima. Na verdade, elas obtêm sua autoestima colocando os outros para baixo, provocando, batendo. Assim se sentem melhores do que os outros. Pessoas preconceituosas usam critérios como raça ou religião para se dizerem melhores em relação aos que integram os outros grupos. O preconceito vem desse sentimento de que o grupo ao qual pertenço é melhor do que o outro e de que tenho que me sentir melhor do que o outro.

A autocompaixão é a alternativa que você propõe?
Kristin Neff – Sim. Se a autoestima implica você se julgar positivamente, a autocompaixão não envolve julgamento. Diz respeito a responder com carinho para si mesmo nos momentos de sofrimento. É como a compaixão: vejo que alguém está sofrendo e me esforço para ajudar a pessoa. Tanto a autocompaixão quanto a autoestima têm os mesmos benefícios, mas a primeira não tem os prejuízos da segunda. Se a autoestima te abandona, te ignora ou te critica quando algo ruim acontece, a autocompaixão te dá apoio quando você sofre, sente medo, é rejeitado ou falha.

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