Machado de Assis e o paraíso terrestre

Recebi por e-mail uma coluna do Pasquale Cipro Neto onde ele explica a origem da palavra “carnaval” (da expressão latina “carne levare”, que significa “tirar, sustar, afastar a carne”) e cita um texto de Machado de Assis, onde ele se revela, tal qual Da Vinci, Shakespeare e outros grandes, um entusiasta do paraíso na Terra via princípios alimentares básicos e harmônicos. Ou, pelas próprias palavras dele (muito melhor):

“Quando os jornais anunciaram para o dia 1º deste mês uma parede de açougueiros, a sensação que tive foi mui diversa da de todos os meus concidadãos. Vós ficastes aterrados; eu agradeci o acontecimento aos céus. Boa ocasião para converter esta cidade ao vegetarismo. Não sei se sabem que eu era carnívoro por educação e vegetariano por princípio. Criaram-me a carne, mais carne, ainda carne, sempre carne. Quando cheguei ao uso da razão e organizei o meu código de princípios, incluí nele o vegetarismo; mas era tarde para a execução. Fiquei carnívoro. Era a sorte humana; foi a minha. Certo, a arte disfarça a hediondez da matéria. O cozinheiro corrige o talho. Pelo que respeita ao boi, a ausência do vulto inteiro faz a gente esquecer que come um pedaço do animal. Não importa, o homem é carnívoro.

Deus, ao contrário, é vegetariano. Para mim, a questão do paraíso terrestre explica-se clara e singelamente pelo vegetarismo. Deus criou o homem para os vegetais, e os vegetais para o homem; fez o paraíso cheio de amores e frutos, e pôs o homem nele”.
~ Machado de Assis, em “A Semana”

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